O que foi a Compagnonnage

Texto publicado originalmente na Wikipédia França, foi traduzido ao português por: José Antonio de Souza Filardo e adaptado para a publicação aqui no Tarot Histórico.

O que foi a Compagnonnage

O termo compagnonnage ou companheirismo refere-se principalmente a um ramo do movimento operário francês, famoso pelo seu Tour de France, que atingiu o auge de sua fama com Agricol Perdiguier em meados do século XIX antes de desaparecer quase inteiramente devido à industrialização, a transformação da aprendizagem e a autorização dos sindicatos. No entanto, ela escapou da extinção no início do século XX antes de experimentar um período de renovação.

História das Guildas de Companheiros

Origens lendárias

O termo “compagnonnage” aparece na língua francesa somente por volta de 1719, para designar o tempo do estágio profissional que um companheiro devia fazer com um mestre. Do latim popular Companionem “aquele que partilha o pão com o outro” de cum “com”, e panis, “pão”.

No plano geral e humano, ele evoca um companheiro de vida, um grupo de pessoas cuja finalidade é: apoio, proteção, educação, transferência de conhecimentos entre todos os seus membros.

Em um sentido similar, o movimento dos companheiros de Emaús criado pelo Abade Pierre, teve, por exemplo, como objetivo “agir para que cada homem, cada sociedade, cada nação possa viver, afirmar-se e realizar-se na troca e na partilha, bem como em igual dignidade o “Manifesto Universal” quer dizer ajudar a “partilhar o pão”.

Em um sentido metafórico, pode-se imaginar que existia antes da humanidade, a partir do aparecimento dos seres vivos.

As lendas dos companheiros fazem referência a três fundadores lendários: Salomão, Mestre Jacques e o padre Soubise que aparecem por ocasião da construção do Templo de Salomão, evento que teria testemunhado o nascimento da ordem dos companheiros, embora os textos bíblicos que descrevem não fazem menção dela:

  • Segundo a lenda principal, Mestre Jacques teria aprendido a cortar a pedra quando criança, antes de viajar com a idade de 15 anos para chegar ao canteiro de obras da construção do Templo de Salomão com a idade de 36 anos. Tornando-se mestre dos talhadores de pedra, dos carpinteiros e pedreiros, ele teria retornado à França em companhia de outro mestre, chamado Soubise. Outra versão da lenda, provavelmente mais tardia, identifica Mestre Jacques com Jacques de Molay, o último Grão-Mestre dos Cavaleiros Templários. Outra, ainda identifica Jacques Moler, que teria sido mestre de obras da catedral de Orleans em 1401.
  • Representado em roupa de saco, o Pai Soubise teria sido, segundo a lenda, um arquiteto no canteiro de obra do Templo de Salomão, onde ele teria supervisionado os carpinteiros.

Os símbolos e rituais da maçonaria e do companheirismo são muito diferentes, embora tenham alguns elementos comuns.

Origens históricas

Fixar uma data precisa para o nascimento de companheirismo exigiria dar-lhe uma definição precisa, que ele jamais teve, e os arquivos das guildas de companheiros não vão além do século XVIII.

Havia provavelmente organizações de trabalhadores e artesãos desde o início dessas profissões. O estudo comparativo das religiões e tradições dos países ao redor do mundo sugere que esses artesãos receberam conhecimentos mais ou menos secretos de geração em geração desde os tempos mais antigos. Encontramos vestígios no antigo Egito e Roma antiga, por exemplo.

A guilda de companheiros já existia na época da construção das catedrais; os sinais particulares dos companheiros são reconhecíveis, estes companheiros viajavam por todos os países da Europa e principalmente na França.

Na França, a organização dos ofícios sob o Antigo Regime estava construída em torno de corporações e de três estados: aprendiz, companheiro e mestre. Para os companheiros, era extremamente difícil chegar a mestre, a menos que fosse o filho ou genro do mestre. Além disso, o “livro dos ofícios”, escrito em 1268 a pedido de Luís IX, proibia qualquer trabalhador de deixar seu mestre sem o seu consentimento. E é como reação a estas medidas que nascem as primeiras sociedades de companheiros independentes das corporações. Eles não usam o nome de “companheirismo” a não ser no século XIX e chamavam-se até então de ‘deveres’.

A primeira menção indiscutível das práticas de companheirismo remonta ao ano 1420 quando o rei Charles VI escreveu um decreto para os sapateiros de Troyes, na qual ele afirmava que:

Vários companheiros e trabalhadores do dito ofício, de múltiplas línguas e nações, iam e vinham de cidade em cidade para aprender, conhecer, ver e saber uns dos outros”.

Em 1685, a revogação do Édito de Nantes levou a uma divisão na guilda dos companheiros. Os protestantes e não-crentes se agrupam em outro Dever que assumirá no momento da Revolução Francesa, o nome de “dever de liberdade”.

O clímax do movimento de companheirismo

A partir do início do século XVIII, a guilda de companheiros apresenta duas fortes características: Seu poder como organização de trabalhadores torna-se considerável. Ela organizou greves por vezes longas, controla as contratações em uma cidade, estabelece a “interdição de lojas” contra os mestres recalcitrantes, chegando às vezes até a proibição de cidades inteiras, privando-os de qualquer possibilidade de contratação e ameaçando-as, assim, de falência generalizada. E, ao mesmo tempo, sua divisão é profunda e as brigas entre companheiros de dever rivais fazem muitas vítimas.

Os historiadores estimam em pelo menos 200 mil o número de companheiros na França na primeira metade do século XIX . Foi quando Agricol Perdiguier conhecido como “Avignonese da Virtude” a populariza por suas obras e tenta unifica-las.

O declínio

A segunda metade do século XIX assistiu ao declínio do companheirismo sob o efeito combinado da revolução industrial que implementa processos de fabricação menos dependentes de segredos e truques do ofício, da organização do treinamento alternado, o fracasso da unificação das guildas de companheiros e da ferrovia que perturba a prática milenar do Tour de France a pé. A partir de 1884, os sindicatos, agora permitidos, sobem rapidamente em poder no mundo do trabalho e transformam em paródia as práticas tradicionais do companheirismo, que parece condenado a desaparecer rapidamente.

A renovação

Mesmo assim o companheirismo sobrevive. Confrontado com a industrialização, suas práticas e valores ancestrais, se eles são ridicularizados pelos modernistas, atrai entre as duas guerras mundiais a atenção dos tradicionalistas. Durante a última guerra, o companheirismo se reorganiza e os companheiros, incluindo Jean Bernard, criam a “Associação Operária dos Companheiros do Dever.”

A formação de um companheiro

O título de Companheiro é atribuído ao trabalhador que, depois de completar seu tempo de aprendizagem e de se aperfeiçoar no Tour de France, e produziu um trabalho comumente chamado de obra-prima. Diz-se do trabalho de “recepção” (a recepção é uma cerimônia que dará ao candidato o título de companheiro).

Ele continuará seu treinamento junto a vários padrões e “país” ou “coteries” que ele conhecerá no Tour de France. Durante sua jornada, ele encontrará por todos os lados uma casa de companheiros onde se situam “Cayennes” e “Salas“. Esta casa é administrada por uma mulher: “Senhora Ecônoma”, “Senhora Anfitriã” ou “Mãe” dependendo do grau de iniciação recebido por esta última.

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