Como são classificados os tarôs?

Este texto é uma compilação de diversas fontes encontradas na internet e em alguns livros. Quando estuda-se o tarô encontramos coisas curiosas como “o tarô de Marselha não surge nesta cidade e também os tarôs sob este título não necessariamente surgiram nela” mesma coisa ocorre com o Tarô de Besançon. Sem contar as diferentes regiões e seus respectivos  baralhos… A confusão é inevitável. Essa é minha contribuição para tornar palpável estas nomenclaturas, divisões e categorias.

Classificações

Assim que o Tarô ficou popular, espalhou-se pelo norte da Itália, mais precisamente pelas cidades de Milão, Bolonha e Ferrara. Estas tornaram-se centros propulsores de diferentes padrões das cartas.

Os primeiros baralhos de Tarô foram pintados ou gravados por artistas de forma artesanal e luxuosa, e só a elite podia pagar por estas cartas. Estas cartas eram pintadas com folhas de ouro ou prata.

Quando um novo baralho era criado, os assuntos e personagens retratados eram emprestados de obras como pinturas, livros de iluminuras etc, que o autor conhecia através de seu local de trabalho ou através de visitas a outros principados ou cortes.

Desta forma os diferentes baralhos tornaram-se graficamente relacionados às regiões ou cidades onde surgiram; quanto maior a distância entre duas áreas, maiores são as diferenças entre os jogos fabricados localmente. Além disso, não só o estilo gráfico varia, mas também a ordem e a quantidade de trunfos ficaram sujeitas às mudanças.

O historiador do Tarô, Michael Dummett, sugeriu três classificações principais, são consideradas como modelos das muitas variedades conhecidas, rotulando-as de A, B e C. Outro especialista e colecionador do Tarô, Tom Tadfor Little, renomeou estes três grupos de acordo com as áreas geográficas – do norte da Itália – de onde estes se desenvolveram:

    • Padrão milanês: Originado na corte de Visconti em Milão deste originaram os tarôs franceses e suíços, e é provavelmente o mais conhecido; este grupo corresponde ao tipo denominado por Dummett como C. Jean Claude Flornoy denomina essa categoria como a tradição milanesa, a tradição dos imagineiros;

    • O padrão da corte da família Este, em Ferrara, que possuíam a sua própria tipografia para fazer cartas. Além da cidade de origem, chegou somente até Veneza; este grupo corresponde ao tipo denominado por Dummett como B;

  • Nascido na Bolonha, o mais “popular” dos três (pelo menos até o século XVIII) desenvolveu-se nas regiões do sul da Itália, não sendo especificamente relacionado com qualquer corte nobre, atingiu Florença (onde provavelmente inspirou o Minchiate) e mais tarde a Sicília. Original da cidade de Bolonha, possui 62 cartas. Por isto, também é chamado de Tarocchino (“tarô pequeno”). Cada naipe tem um ás, valores de 6 a 10, nos quatro naipes habituais. A ordem e os temas dos trunfos são ligeiramente diferentes dos tarôs clássicos; este grupo corresponde ao tipo denominado por Dummett como A.


Características estritas dos baralhos ditos “de Marselha”

O Tarô de Marselha segue o padrão milanês das cartas. Originado na corte de Visconti em Milão deste originaram os tarôs franceses e suíços, e é provavelmente o mais conhecido. Jean-Claude Flornoy denomina essa categoria como a tradição milanesa, a tradição dos imagineiros medievais.

São suas características:

  • A ordem dos 22 trunfos, numerados ao alto e com seus nomes embaixo das cartas (com pequenas variações de grafia e ortografia), é comum entre vários gravadores o ‘v’ substituir o ‘u’ e o ‘i’ substituir o ‘j’ (mas isso não é uma regra) : I bateleur, II papesse, III impératrice, IIII empereur, V pape, VI amoureux, VII chariot, VIII justice, VIIII ermite, X roue de fortune, XI force, XII pendu, XIII mort (carta geralmente sem nome), XIIII tempérance, XV diable, XVI maison dieu, XVII etoile, XVIII lune, XVIIII soleil, XX jugement, XXI monde, e Fou (fol, mat) sem número;

  • Numeração das cartas seguem os números romanos.

As variações gráficas dos desenhos são divididas pelos especialistas em dois tipos de tarôs de Marselha: TdM I e TdM II. esta classificação segue características de algumas cartas.

A orientação à esquerda (de quem vê) do cupido, na carta VI, a cortina do Chariot, a figura central de Le Monde possui uma capa. Seguindo esta iconografia estão os exemplares mais antigos e ainda preservados, os baralhos de Jean Noblet, cartier parisiense do século XVII e o de Jean Dodal (cartier de Lyon), do fim do século XVII ou começo do século XVIII. Fazem parte da categoria denominada de TdM I.

O TdM II é uma categoria em que o modelo mais antigo de baralho corresponde ao século XVIII, o mais antigo desta categoria é o baralho de Pierre Madenié, em Dijon, de 1709. Os exemplares conhecidos do Tarô de Marselha e que foram efetivamente produzidos nesta cidade são essencialmente mais tardios. François Chosson (1736), Jean Tourcaty (1745), Nicolas Conver (1760), para citar alguns. Os tarôs marselheses, propriamente ditos, possuem certas particularidades em comum (a visão de perfil da carta La Lune, o desenho da cortina de Le Chariot etc.).

E ainda não acabou, pois esta iconografia originada em Milão e posteriormente desenvolvida no Tarô de Marselha, sofre outras modificações, algumas contemporâneas a ele (como os tarôs belgas ou suíços) e outras mais tardias (como o de Besançon).

Tarôs ditos Belgas – de Ruão e de Bruxelas, também chamadas de cartas suíças

Crédito da imagem de ‘La Foudre’ de Adam Hatout:
Bertrand Saint-Guillain from www.tarotparis.com

Foram tarôs produzidos na Bélgica, mas o exemplar mais antigo é francês, de Ruão (o Tarot de Adam Hautot). Surge em meados do século XVIII. O tarô de Jacques Viéville guarda grande semelhança com o baralho de Adam Hautot.

O Louco ou Mat é numerado XXII. Além disso, como na variante chamada de Besançon, a Sacerdotisa (II) e o Papa (V) são substituídos por outras figuras, aqui, respectivamente Capitaine Fracasse e Bachus (o deus grego Baco). O Mago (I), O Diabo (XV), Foudre (XVI) e a Lua (XVIII) apresentam motivos semelhantes aos do Tarô de Jacques Viéville.

Jean-Claude Flornoy identificava essa figuração como pertencente à tradição piemontesa ou tradição dos talhadores de pedra, dos carpinteiros, dos arquitetos e dos mestres-de-obras.

Tarô de Besançon e os Tarôs revolucionários

O Tarô de Besançon (TdB), nasceu provavelmente em Estrasburgo no século XVII.

Sua estrutura é idêntica ao Tarô “de Marselha” à exceção de dois trunfos La Papesse (II) e Le Pape (V) (que são substituídos respectivamente por Junon e Jupiter). Essas mudanças, presumivelmente, foram realizadas para evitar controvérsias relativas à religião. O Ás de Copas adota um formato mais arredondado do que o Tarô “de Marselha”. Le Ermite às vezes é chamado de O Capuchinho (Le Capucin, nos originais).

Após a Revolução Francesa, versões secularizadas do Tarô foram impressas, baseadas no Tarô “de Besançon”, por exemplo as figuras de L’Impératrice (III) e de L’Empereur (IIII) foram nomeadas como La Grand-mère (a avó) e Le Grand-père (o avô), L’Ermite tornou-se Le Pauvre (o pobre). Além de vários símbolos da realeza serem desfigurados.

Entre os cartiers que produziram baralhos dentro seguindo este modelo foram: Lachapelle (Estrasburgo, para 1715), Laudier (Estrasburgo, 1746), J-B Benoist (Estrasburgo, para 1720), J. Jerger (Besançon, início século XIX), Lequart (Paris, por volta de 1880).

Este último impressor editou o baralho em 1891 que serviu de base a Paul Marteau em 1930, para seu tarô. Porém este substituiu Junon e Jupiter pelas cartas tradicionais, porém não se sabe ao certo quais modelos pictóricos para estas cartas ele tenha utilizado – talvez as cartas de Nicolas Conver.

Tarôs no século XX

Fora da classificação dos tarôs históricos estão os tarôs contemporâneos editados no século XX. Estes, de acordo com Nei Naiff, são divididos em:

  • Tarô moderno ou estilizado, categoria iniciada  a partir do lançamento em 1910 pela Rider & Cia do Tarô concebido por Arthur Edward Waite e desenhado por Pamela Colman Smith, o primeiro tarô com desenhos e traços livres, e ricamente coloridos. Primeira vez, na idade contemporânea, que os arcanos menores ganham ilustrações completas; 

  • Tarô transcultural ou étnico, em meados de 1970, surgiram aqueles tarôs onde cada arcano era substituído por outros personagens e outras ambientações, seguindo determinada mitologia. Porém o padrão do tarô clássico é claramente reconhecível;

  • Tarô surrealista ou fantasia, neste grupo os arcanos não possuem nada em comum com os baralhos clássicos, os autores destes tarôs usam sua livre expressão e criatividade para retratar um tema.

    Daison Paz

Fontes pesquisadas:

Andy Pollett em The Birth of Regional Tarots - http://l-pollett.tripod.com/cards14.htm (página visitada em dezembro de 2012).

J-M David, Reading the Marseille Tarot. ATS, 2009.

Michael A. Dummett, The Game of Tarot: from Ferrara to Salt Lake City. Duckworth, 1980.

Nei Naiff, Curso Competo de Tarô. Best Bolso, 2009.

Stuart Kaplan, Tarô clássico. Pensamento, 1989.

Tarotpedia em Tarot Historyhttp://www.tarotpedia.com/wiki/Tarot_History  (página visitada em dezembro de 2012).

Tom Tadfor Little em http://tarothermit.com/ (página visitada em novembro de 2009).

Wikipedia França – Tarot de Marseillehttp://fr.wikipedia.org/wiki/Tarot_de_Marseille  (página visitada em dezembro de 2012).

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