Os Imagineiros do Tarô

Neste pequeno ensaio J-C Flornoy define as tradições que supostamente deram origem aos tarôs com que ele trabalhou.

Os Imagineiros do Tarô

Na sua origem coexistiram duas tradições pictóricas:

– A tradição dos imagineiros[1]

Onde o exemplar mais antigo que chegou até nós provêm do ateliê parisiense de Jean Noblet, de meados do século XVII. Desta tradição pertencem igualmente os tarôs de Jean Dodal, Lyon c.1701, o de Jean-Pierre Payen, Avignon, 1713, e o famoso tarô de Nicolas Conver, Marseille, 1760[2].

O tarô de Nicolas Conver, ou ‘O Tarô de Marselha’

O jogo fabricado por Nicolas Conver é o arquétipo do Tarô de Marselha, em meados do século XVIII, serviu de modelo à Paul Marteau quando propôs o seu tarô simbólico em 1930.

Aderindo ao esoterismo próprio de sua época Marteau, que apresentou-se como um simples restaurador, realizou, entretanto, uma obra original. A comparação com o modelo de 1760 atesta este equívoco. Editado em diversas línguas este tarô teve sucesso mundial graças à distribuição em massa realizada pelo seu editor: a Grimaud. É esta edição usada como o padrão do Tarot de Marselha e é o mais comumente usado para adivinhação.

O jogo feito por Nicolas Conver em seu ateliê na cidade de Marselha, em meados do século XVIII, serviu de modelo para os baralhos propostos pelos editores Lequart e Grimaud em 1891. Este tarô serviu de base a Paul Marteau em 1930, para seu tarô simbólico e adivinhatório. A versão de Marteau comparada com o modelo de 1760 que ele utilizou atesta inequivocamente isto: suas cores distorcem a mensagem cromática tradicional. Editado em diversas línguas este tarô teve sucesso mundial graças à distribuição em massa realizada pelo seu editor.

– A tradição dos talhadores de pedra 

Também encontrado sob o nome de Tarô de Bolonha, na tradição piemontesa ou “Rouen-Bruxelas” e é representada principalmente pelo tarô de Jacques Viéville (Paris, 1650). Oferece diferenças notáveis sobre os arcanos XV- Le Diable (frente ou de perfil), XVI – Casa-Deus (uma torre com uma chama ascendente ou um rebanho de ovelhas e seu pastor, ao pé de uma árvore), XVII – Le Etoile (uma parturiante ou um arquiteto) e XVIII – La Lune (uma bacia/um lago com uma lagosta ou um astrônomo com um compasso).

Podemos adicionar uma terceira tradição, que surgiu no início do século XV:

 

 

 

 

– A dos tarôs artísticos

Começam com os tarôs dos príncipes italianos e continua até os dias atuais; até mesmo Salvador Dalí pintou seu Tarô!

Nestes trabalhos, que sem dúvida são de extrema beleza, porém são inúteis para se procurar um significado interior, pois a estética precede a verdadeira ciência tradicional.

O Tarô para o século XXI

As épocas mudam. Neste começo de século, por minha vez, senti a necessidade de me reatualizar através dos baralhos preservados na Biblioteca Nacional [da França]. Os princípios que guiam meu trabalho de restauração são os da tradição: a fidelidade ao original, deixar de fora o que é específico ao envelhecimento do papel e das cores, e restaurar a riqueza das cores originais que o tempo foi reduzindo.

Jean-Claude Flornoy

 


[1] Imagiers, no original. Termo que designa aqueles artesãos que criavam imagens em catedrais, monumentos, gravuras etc. Também conhecidos como santeiros. Foi um termo também utilizado por Oswald Wirth (Nota do Tradutor).

[2] Aqui Jean-Claude utiliza uma forma de classificação – da iconografia conhecida como Tarô de Marselha – diferente da divisão em TdM I e TdM II. Nesta classificação os tarôs de Jean Noblet e de Jean Dodal estariam no primeiro grupo, já o de Nicolas Conver participaria do modelo TdM II. (N. T.)

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