Jean-Claude & Roxanne Flornoy

O Tarot exerce seu fascínio tanto sobre o iniciado, quanto ao amador ou ao curioso. O tarô é o legado mais antigo do pensamento ocidental. Esta seção é dedicada ao trabalho de restauração empreendido pelo artesão francês Jean-Claude Flornoy e sua esposa Roxanne Flornoy, ambos à frente das Editions Le Tarot – Sainte-Suzanne (França) – e principalmente aos tarôs históricos armazenados na Biblioteca Nacional da França: Tarot de Jean Noblet (Paris, c.1650), Tarot de Jacques Viéville (Paris, c.1650), Tarot de Jean Dodal (Lyon, 1701), Tarot de Nicolas Conver (Marselha, 1760).

“O tarô é uma sucessão de imagens que na Idade Média chamou-se de: a peregrinação da alma, ou seja, as fases e as mudanças em nossas fases de vida, desde a encarnação, até a morte. É a descrição de um caminho de iniciação, conhecimento e ensino. Seu uso na adivinhação é novo e não os métodos tradicionais utilizados muitos.

Há muitas opções a respeito da origem da palavra Tarô. Entre elas está tarik, uma palavra de origem árabe, do Oriente Médio, e que significa caminho.” – J.-C. Flornoy

Todo seu trabalho de restauração, de resgate histórico e de propostas de interpretações simbólicas foi feito através da análise pictórica dos seguintes exemplares:

“São estes tarôs que são o fundamento e a fonte de todos os tarôs modernos. Eles foram produzidos numa época em que as tradições ainda estavam vivas…” – J.-C. Flornoy

… e é a estas tradições que diversos posts, aqui do Tarot Histórico, serão dedicados!

Biografia

Nascido em 1950 em Paris, Jean-Claude Flornoy, filósofo e ceramista, estudou o Tarô por 20 anos. Até ser contratado, na década de 90, para realizar telas de 2,50m por 1,20m dos 22 trunfos do Tarô de Paul Marteau, para uma companhia teatral parisiense. Este trabalho ficou incompleto, mas instigou-o para restaurasse as lâminas do tarô de Nicolas Conver, também em telas gigantes (220 cm por 110 cm). Ao passar semanas em cada um dos gigantescos arcanos permitiu-o a “entender” a forma como as imagens são operativas por si mesmas. Naturalmente progrediu neste trabalho realizando as versões de grande porte das lâminas de Noblet, Dodal e alguns trunfos de Viéville. Estas enormes reproduções foram expostas em conferências, oficinas e em uma variedade de eventos relacionados ao Tarô.

Em seguida, 2001, realizou as restaurações dos 22 arcanos maiores dos tarôs de Jean Noblet e de Jean Dodal coloridos utilizando a técnica manual do stencil. Em 2007 e 2009 são lançadas as versões completas destes dois tarôs em escala industrial.

Jean-Claude também manteve um site na Internet em francês a respeito de seu trabalho, traduzido em grande parte ao inglês por Roxanne Flornoy. Jean-Claude faleceu em maio de 2011.

Desde então o trabalho vem sendo desenvolvido por sua esposa Roxanne, que foi responsável pela versão restaurada dos 22 trunfos do tarô de Jacques Viéville, lançada em 2012.

Tradição Esotérica do Ocidente

O trabalho artesanal e meticuloso de Jean-Claude & Roxanne Flornoy em re-editar estes tarôs históricos e populares conservados na Biblioteca Nacional da França, devolve o frescor e a beleza destas cartas tão antigas. Além disso, Jean-Claude realiza vários saltos conectivos sobre as origens, os desdobramentos e as influências que os símbolos e as sequências das cartas tiveram ao longo do tempo. Ressaltando, o que ele considerava como a era de ouro: a época medieval. Onde a tradição para a realização destas cartas estava viva e em expansão.

“Esta tradição, possui sete séculos de existência, tem origem no conhecimento, na ciência e na arte dos homens que construíram as mais belas e instigantes catedrais.

Todos os tarots que não estão enraizados nesta tradição (efetivamente morta em 1730) podem ser chamados de “fantasia”, e apenas refletem o eixo estético de seus autores. Criações pessoais permanecem criações que são apenas pessoais, mesmo sendo eruditos ou bonitos.

Assim, diante da incrível multiplicidade de tarôs fantasia ou transculturais, um retorno ao material original faz-se necessário.

Neste começo de século, por minha vez, senti a necessidade de me reatualizar através dos baralhos preservados na Biblioteca Nacional [da França]. Os princípios que guiam meu trabalho de restauração são os da tradição: fidelidade ao original e restituição da riqueza das cores originais que o tempo tratou de reduzir.” – J.-C. Flornoy, um imagineiro do Tarô.

Aos poucos seus artigos serão publicados através de postagens no blog.

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