Enrique Enriquez

Enrique Enriquez é um leitor contemporâneo do Tarô e um pensador das imagens. Além disso, é artista plástico, comunicador, humorista e escritor. Explora as conexões entre as corporações de ofício medievais e a atual ciência cognitiva. Seu interesse foca-se na dinâmica do criar-sentido e na nossa necessidade ontológica por ficção para mapear nossa realidade. Seu interesse no tarô como um dispositivo poético foi estimulado pela leitura do livro O Castelo dos Destinos Cruzados de Italo Calvino – onde o Tarô foi utilizado como um gerador de narrativas combinatórias.

Enriquez propõe a recontextualização do Tarô como uma magia simbólica contemporânea.

“O Tarô ensinará a você como lê-lo. Você não precisa de intuição, você tem o Tarô. Você não precisa de ideias, você tem o Tarô.”

Original da Venezuela, já há alguns anos, vive em Nova York. É um amante dos tarôs históricos, sua abordagem original, amena e disciplinada destas antigas imagens, o fez bem conhecido nos países anglófonos. A partir de agora seus artigos, sua metodologia e seu olhar ao Tarô são apresentados em primeira mão ao público brasileiro. Seu estilo de leitura do tarô pode ser resumido como uma interpretação visual e poética das cartas.

É lançado em 2007, Looking at the Marseilles: Notes on Tarot’s Optical Language, um livreto que não chega há 40 páginas, com dicas e exercícios para interpretar as cartas através das suas imagens.

“… passei um bom tempo estudando diversos sistemas adivinhatórios, tentado encontrar o ‘componente ativo’, vendo como podiam ser usados para catalisar a imaginação das pessoas”.

Estas notas diferenciam-se radicalmente dos sistemas de interpretação e leitura “tradicionais”, que repetem descrições enlatadas e significados que compõem a maioria dos livros sobre o assunto. Enriquez usa as próprias imagens das cartas para criar uma narrativa que pode-se aplicar à qualquer situação particular em que estivermos interessados.

“Compreendendo a lógica descrita neste livro, você poderia começar com leituras quase que imediatamente. Sem a necessidade de memorizar significados.” – Foucault

Em 2009, suas “Chaves Gestuais para a Interpretação do Tarô” foram publicadas como um prólogo para a publicação do Tarô de Jean Dodal, re-editado por Jean-Claude Flornoy. Neste momento, foi chamado de “uma das mentes mais brilhantes do mundo do Tarô do século 21″, por membros da Association for Tarot Studies. Já a British Society of Mystery Entertainers descreveu seu trabalho como “desafiador de muitos dos preconceitos sobre o Tarô”.

Através do treino do olhar ele demonstra a linguagem poética do Tarô de Marselha.

Assim, Enriquez desmistifica o Tarô, colocando suas imagens dentro do contexto de uma narrativa poética. Ele usa o Tarô para criar belas e inesquecíveis histórias, revelando o profundo efeito que essas imagens podem ter sobre nossas vidas.

Em 2011, foi lançada uma coletânea com sua leituras poéticas do Tarô de Marselha. Tarology contêm as atuações lúdicas de Enrique Enriquez com o Tarô, estas são fruto das experimentações literárias de vanguarda, derivadas de Dada, Patafísica, OuLiPo… São brincadeiras que desafiam as visões clássicas de leitura das cartas.

Através de anagramas alfabéticos, trocadilhos visuais e outros exercícios de desvio – clinâmen – e de escritas visuais e verbais constrangidas (OuLiPo), somos surpreendidos quanto à natureza visual e gestual do Tarô. Ao mesmo tempo enriquez propõe as regras do “ver e aprender”, “simplifique”, “fique no caminho”, “surpreenda-se”, “tenha medo”’, e “deixe a imagem falar”.

O autor desenvolve um método totalmente novo de leitura das cartas, combinando cuidadosas considerações entre o acaso e a escolha, desmistificando as convenções de leitura do Tarô. Ao utilizar uma abordagem fenomenológica e construtivista para as cartas, Enriquez mostra como o Tarô de Marselha fala poesia.

Fazendo de Tarology um livro diferente dos diversos manuais de tarô e dos repetitivos livros com receitas de leituras e significados prontos. Seus apontamentos são para o tarólogo/tarosofista entediado com as mais diversas e absurdas associações propostas pelos ocultistas.

Todo este trabalho culmina com o lançamento, em 2012, do primeiro documentário de longa metragem sobre o Tarô: Tarology! Criado por Chris Deleo e Kimberlie Naughton.

Tarology – o filme – mostra como Enriquez trabalha de forma apaixonada com o Tarô de Marselha. Temos a oportunidade, de irmos além das suas sugestões textuais, de acompanhá-lo tornando-se um só com o Tarô. Vemos criando belas e inesquecíveis histórias, revelando o profundo efeito que essas imagens tem sobre nossas vidas.

Ele nos guia pelas ruas de Nova York e demonstra como essa linguagem poética do Tarô de Marselha age e através de seus olhos podemos sentir toda a beleza latente do Tarô.

“Se você treinar-se para ver semelhanças e conexões entre diferentes coisas no mundo, você está treinando para falar a linguagem do Tarô.”

E sua visão não limita-se às cartas propriamente ditas, Enriquez – para exemplificar – encontra beleza e valor nas relações entre as cartas do Tarô e as formas dos edifícios. Dessa forma, tudo, incluindo coisas aparentemente banais, de repente, parecem ter um significado mais elevado.

“… qualquer coisa que você pare de ignorar, se tornará absolutamente fascinante”.

 

O documentário também oferece entrevistas com diferentes leitores conceituados do Tarô, Rachel Pollack, Mary K. Greer, Robert Place, Dan Pelletier e outros. É a investigação de uma maneira original de olhar o mundo, e como o uso das cartas do Tarô influenciam esta visão.

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